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Terça-Feira, Dia 1 de Maio de 2018
III RALLYE DO VELHO CHICO
Fonte: SOB A ÓTICA DO VELEJADOR MR DUBEUX




DIARIO DE BORDO

14/10/2017

Comigo não tem conversa fiada. Se digo que vou, eu vou. E duvido alguém mais doido, saindo de tão longe para participar de todas as versões do Rallye do Velho Chico. O Wilsinho é pai da “criança”, mas eu sou o doido que compra suas ideias.

28/04/2018

O caldo está engrossando. Nas duas primeiras versões do Rallye do Velho Chico participaram três barcos em cada uma delas. Este ano já somos sete barcos e aproximadamente vinte bikes, numa integração muito bacana entre as tribos do pedal e da vela. De todos os envolvidos creio que apenas o atual presidente e o vice-presidente da Associação Brasileira da Classe Hobie Cat foram presença carimbada em todas as três versões, além da dupla dinâmica do nosso barco de apoio, sem esquecer do folclórico amigo Huguinho. Chegamos ontem à tarde vindo de Recife/PE e nos instalamos da Pousada Prive Rio Belo. Localizada no povoado de Betume, em Neópolis/SE. Nos deliciamos com uma baita peixada (pense num pirão chama rede) após o que alguns foram montar seus barcos, outros simplesmente descansar e ainda teve o grupo da indiada mor que precisou viajar até o ponto de chegada do Rallye, em Niterói/SE, justamente para deixar seus veículos e reboques. Retornaram ali pelas duas da madruga (28), todos apertadinhos e amontoados. Depois de umas baforadas de BAIGON para detonar com a muriçocas que nos esperavam no quarto, liguei o ar condicionado e dormi o reparador sono dos justos. Acordamos cedinho no dia seguinte (28) e junto com uma chuvinha o vento deu o sinal da graça, mais cedo que esperado, o que nos possibilitou partir um tanto antes que o horário previsto. Nesse primeiro dia de TRIP velejamos por aproximadamente quatro horas entre o povoado de Betume e Propriá/SE. O pessoal da bike partiu um pouco antes, por volta das 7:00hs e também chegaram antes de nós no primeiro point. O vento esteve perfeito e as nuvens no céu inclusive serviram de alento pois evitaram que o sol castigasse nossa pele. Passamos por Neópolis/SE, Penedo/AL e quase ao final da tarde finalmente chegamos a Propriá/SE onde pernoitamos na simples, mas sempre acolhedora Pousada Chega Mais. Para mim tendo ar condicionado e ficando longe das malditas muriçocas não precisa de mais nada. Cada qual com suas frescuras! Devo admitir que além das muriçocas um certo ronco também incomoda, mas tá valendo a parceria do “primo” de longa data. Comi que nem um bicho (petiscos, depois um cheesburguer e para arrebatar um açaí), mas tudo isso porque não almoçamos, diga-se da passagem, e cai na cama como uma barata que dorme de bucho virado para cima.

29/04/2018

Acordamos cedo e tomamos nosso café com o visual do Velho Chico, na lanchonete extensão da pousada Chega Mais, simpática atitude dos proprietários do nosso já confirmado ponto de pouso em Propriá. Logo que entrou um ventinho partimos para nossa segunda etapa da TRIP, isso ali por volta das 9:15hs. E não é que o Deus Éolo (guardião dos ventos) mais uma vez não nos deixou na mão. Na primeira etapa do percurso Tito e Ricardo que estavam na frente da flotilha, seguidos por Guilherme e Nicole (nenhum deles conhecia o caminho) nos levaram para um labirinto e começaram a voltar, o que fez com que todos que vinham atrás dessem meia volta num contravento apertado, só que eles nos enganaram. Quando me dei por conta e olhei de soslaio os dois espertinhos da frente deram um bordo redondo e seguiram pelo caminho supostamente errado. Outros nos seguiram. Enfim, todos os caminhos levam a Roma, só que alguns são mais complicados. Perdemos uma meia hora e ficamos para trás e velejados com o objetivo de diminuir a distância, com um vento fraquinho. Na segunda etapa do percurso o vento apertou um pouco mais e ficou muito bom, até que ancoramos em frente da Traipu/AL para saborear um delicioso carreteiro preparado pelo Fadanelli e equipe de apoio. Pense numa coisa boa. Ou terá sido a fome!?!? Que nada, o cara é campeão. De lá nos largamos para Gararu/SE onde seria nosso terceiro pernoite (Chácara Paraíso Gararu). Como já conhecíamos o caminho viemos Eu e Victor e mais Wilsinho e Ledo pela esquerda de um enorme banco de areia e os espertos que tentavam nos passar foram pela direita. Se lascaram. Dessa vez eles ficaram entalados. Mas tudo é festa. Logo na saída de Traipu entrou uma rajada de uns cinco minutos muito forte e vi a hora de capotar. Foi pericia para segurar o desembestado Hobie Cat. Como somos uns The flash ´s chegamos na frente na pousada em Gararu e logo subimos nosso barco no gramado e ficamos esperando os paturebas de plantão que derem uma de “espertos” e ficaram encalhados do outro lado da ilha, desviando de um bando de cavalos que pastavam entre as ilhotas. Todos em terra fomos recepcionados por um autêntico forrozinho pé de serra simpaticamente providenciado pela administração da Pousada onde passamos a noite. Lugar bacana, apartamentos organizados, e um bom ambiente de confraternização. Aliás, a noite foi regata a churrasco gaúcho, obra da dupla Fadanelli e Hernani, e uma farofa que caiu como uma luva, providenciada pela mulherada da bike. Aqui um parêntese: O sistema olfativo tem características únicas. O fato é que o cheiro exerce um papel fundamental nos processos de interação sócio afetiva entre seres humanos. E eu tenho lindas memorias afetivas e infantis relacionadas com o odor de bosta de gado. E nossa pousada tinha esse cheirinho e fazenda. No dia seguinte Victor me chamou atenção para o curral que existia logo atrás. Coisa maravilhosa. Pense num aroma para me dar Déjà Vu. Dormimos bem, ao menos até que o “primo” Tito começou com a sua sinfonia noturna. Aguentei um tempo pra não dizerem que sou chato mas dai não deu mais e fui devagarzinho na orelha dele e o chamei bem carinhosamente. Hahahahahha O cara abriu os olhos sem saber onde estava, assustado com aquele homem com a barba perto do cangote...Funcionou! Dali em diante dormiu sem roncar... Ou então não dormiu mais ...

30/04/2018

Acordamos por volta das 5:30 e as 6:00 já estávamos nos confraternizando no café da manhã, junto com a turma de bike (os Zuandeiros). Nossa largada foi aquela fuleragem e Guilherme e Nicole pularam na frente. Somente algum tempo depois conseguimos ultrapassar a dupla ponteira e ficamos brigando (sim porque regateiros não passeiam sem disputar) até boa parte do percurso, quando a dupla de Pernambuco tomou um rumo incorreto e foi ultrapassada por Tito e Ricardo, também de Pernambuco, que hoje andaram que nem malucos principalmente quando o vento caia. Vieram lá de trás e nos passaram, e Ricardo corneteando (pense num pentelho chato dos infernos). Um sol do cacete, sem vento, calor, e um peste buzinando no teu ouvido...vou te passar, vou de passar, câmbio, câmbio, câmbio, numa linguagem de doido que só ele entende ....%$%$#$%@$$E¨¨&&** Vale registrar que tudo que a falta de vento nos castigou ao longo desse longo derradeiro trajeto, fomos presenteados com um vento forte e perfeito nas imediações do ponto de chegada. Um barla e sota para ninguém botar defeito. Pense! Quando o vento chegou conseguimos voltar a liderar é assim o foi até o final. Claro que cada um quer andar rápido e chegar na frente, afinal de contas somos competidores por essência, como já falei, mas o moral da coisa é que cada qual tem seus limites e objetivos e o importante é que todos brincamos, e muito, nesses três dias de Rallye e cinco de integração. Foi bem legal. Obrigado a todos que contribuíram para esse sucesso. Agora vou tentar comer porque a última vez que coloquei algo no estômago foi às 6hs da manhã e já são 20 hs. Muito cansado. Assim que passei o meu último dia da vida com 53 anos de idade. Mas foi legal, apesar do esgotamento físico. Partimos de Gararu às 9:25 e chegamos (novamente em primeiro) por volta das 15:30hs. O vento esteve muito fraquinho durante boa parte do percurso, exceção das imediações de Porto da Folha e quando já estávamos chegando em Pão de Açúcar/AL ou Niterói/SE, como prefiram de um ou de outro lado do Velho Chico. Como sabíamos que íamos parar na frente de uma localidade chamada Pão de Açúcar, que ficava na margem alagoana, e nos aproximando vislumbramos uma enorme estátua Jesus Cristo sobre um morro, logo deduzimos que Niterói/SE estaria na margem oposta. Mas nem todos deduziram o mesmo. O resultado foi que três duplas ficaram literalmente encalhadas no lodo do outro lado de um morro de terra que estava sendo dragado. Mas nada que uns bordinhos a mais e umas sacaneadas na chegada não tenham resolvido. Todos no ponto final, são e salvos. Missão comprida e cumprida. Vale registrar que tudo que a falta de vento nos castigou ao longo desse longo derradeiro trajeto, fomos presenteados com um vento forte e perfeito nas imediações do ponto de chegada. Um barla e sota para ninguém botar defeito. Pense!

01/05/2018

Logo depois do meu acho que merecido “parabéns pra você”, com direito a bolo de macaxeira, alguns decidiram pegar a estrada de retorno e outros, como nós, que já estávamos nas bandas de lá do inferno, que nos custava aproveitar e dar um beijo no diabo?!?! Estávamos a uns 64 km de distância de Canindé do São Francisco, que também fica razoavelmente perto de Xingó. Decidimos então realizar a imperdível visita ao monumento de morte dos ícones maiores do cangaço, Lampião e Maria Bonita. Heróis, bandidos, justiceiros. Quem sabe? Talvez tudo junto e incluído, dependendo da situação. O fato é que aqueles personagens históricos insculpiram com ferro, fogo e peixeira a saga do explorado povo do nordeste desse Brasil varonil. Particularmente para mim foi emocionante caminhar pela caatinga preservada, sentindo aromas, calor na pele, pedras sob os pés, até serpente se fez presente, tudo para coroar com chave de ouro o encontro com o monumento de morte em Grota de Angicos, local onde o bando de lampião foi emboscado pela volante do Tenente João Bezerra e do Sargento Aniceto Rodrigues da Siulva (28/07/1938), marcando o começo do fim do cangaço. E devo aqui fazer alusão a guia turística que nos acompanhou e que além da sua fisionomia característica contou-nos a sua apaixonada versão da vida e morte dos Reis do Cangaço, para ela verdadeiros Robin Hood´s nordestinos. Hoje, com 54 anos de idade, e boa parte desse tempo convivendo com essa enlouquecida e ímpar família Hobie Cat, posso mais uma vez dizer que foi esse barquinho de dois cascos, uma “lona” e mastro de quase oito metros de altura que me fez conhecer lugares e pessoas que jamais conheceria noutra situação. Have a Hobie Day!

 

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